Os resíduos plásticos nos mares e rios constituem um problema mundial, sobretudo devido à sua lenta decomposição e à eventual formação de microplásticos. Mas com que rapidez é que os diferentes tipos de plástico se decompõem na água? Que produtos de decomposição são gerados nesse processo? Que parâmetros ambientais influenciam o comportamento de decomposição? Nas instalações do Campus de Engenharia Mecânica da Universidade Leibniz de Hanôver, em Garbsen, está atualmente a ser criada, sob a liderança do IKK – Instituto de Tecnologia de Plásticos e Reciclagem –, uma infraestrutura única que tem como objetivo responder precisamente a estas questões. O nome do projeto SkalAb significa «Análise multiescalar dos mecanismos de degradação aquática de materiais poliméricos». O Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) financia a criação do laboratório e o seu equipamento técnico com mais de dois milhões de euros, no âmbito da resposta da União à pandemia da COVID-19.
Decomposição do plástico no mar e nos rios
Podem passar muitas centenas de anos até à decomposição total do plástico no mar e nos rios. «Não sabemos ao certo o que acontece, em pormenor, com os diferentes tipos de plástico», explica o responsável pelo projeto, o Dr. Florian Bittner, do IKK. A duração da decomposição dos plásticos não depende apenas da sua composição específica, mas também de inúmeros outros fatores, como, por exemplo, a luz, a temperatura ou a corrente, bem como da interação entre eles.
Análise do comportamento de degradação do plástico nas águas
Por esse motivo, os cientistas pretendem reproduzir os cenários a analisar nos projetos de investigação em diferentes escalas, nos chamados microcosmos e mesocosmos. Estes refletem, assim, as condições ambientais naturais dos ecossistemas aquáticos. Assim, a equipa de investigação pretende estudar o comportamento de degradação e os mecanismos de degradação predominantes de diferentes materiais, em função do ambiente específico, como a salinidade, a disponibilidade de oxigénio, o movimento das ondas ou a temperatura. Os processos de degradação serão analisados em pormenor a nível químico e morfológico. Além disso, os produtos de degradação no sistema aquoso serão registados.
Desenvolver materiais poliméricos adaptados
Com a ajuda destes métodos de análise, estabelece-se, pela primeira vez, a base para uma investigação abrangente e sistemática das relações entre a cinética de degradação e os parâmetros dos materiais e do ambiente, bem como dos mecanismos de degradação e dos produtos de degradação que possam surgir, no âmbito dos projetos de investigação atuais e futuros do IKK. Os resultados servem, entre outras coisas, para desenvolver materiais poliméricos adaptados ou inovadores que apresentem melhores propriedades de degradação e, assim, reduzam o impacto ambiental.
(Publicado: 11 de março de 2022)